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Silvestre Quizembe nasceu a 26 de janeiro de 1991 na província do Uíge em Angola onde durante toda a sua formação escolar foi desenvolvendo as bases fundamentais da sua dimensão artística. Aos 12 anos teve a oportunidade de frequentar diversos ateliers pertencentes a artesãos, pintores e escultores. Em 2004 foi recebido como discípulo do artista plástico Paulo Bem Vindo, onde durante seis anos aprendeu a desenvolver a sua própria forma de criar.

“Sou um pintor expressionista que encontra na pintura gestual uma forma de expressão de sentimentos que se sobrepõem ao vazio da tela, criando uma nova narrativa que remete a uma série de questões e problemáticas que afligem a sociedade, levando o espectador a uma viagem despertando sentimento, transmitindo por meio de cores quentes e alegres de África, contando nas telas as memórias fragmentadas de uma infância vivida, sonhos e realidades.”

Quizembe, Silvestre


Entrevista a Silvestre Quizembe


Em que faculdade estudas?
Escola Superior de Arte e Design (ESAD)

Em quantas exposições participaste até à data?
Até à data participei em 39 exposições coletivas e 5 individuais.

Mencionaste à Tumboa Gallery que te encontraste artisticamente assinando como Quizembe, de que forma sentiste isso na tua arte?
Senti que era hora de mudar. Criei a minha própria identidade e ao fazê-lo, sai do realismo ao impressionismo até ao gestual. Assinei a minha última obra como Silvestre em 2015.

O teu mestre, Paulo Bem Vindo, de que forma influenciou o teu trabalho? Aquele tempo de aprendizagem serviu-te de impulso para a carreira ou a criatividade?
Quando perdi o meu pai, a tristeza apoderou-se de mim e necessitava de algo para me abstrair um pouco dessa dor. Um amigo indicou-me uma escola de dança pois sabia que era algo que me dava prazer. (In)Felizmente não encontrei a escola mas deparei-me com um cartaz do atelier do Mestre Paulo Bem-Vindo e entrei logo em contacto. O meu sonho sempre foi ser Artista e o Mestre Paulo apoiou-me apresentando-me o pincel e a tinta. Desde então nos tornamos inseparáveis. O Mestre Paulo Bem-Vindo deu-me as bases para construir uma carreira artística.

Quais são as tuas maiores influências artísticas e porquê? 
Considero o Paulo Bem- Vindo, a Finesa Teta e o Mestre Gonga as minhas maiores influências artísticas. O Paulo Bem-Vindo, por motivos já mencionados, foi o meu mentor e admiro imensamente os seus trabalhos. A primeira exposição de arte que assisti foi da Finesa Teta e com ela recebi algumas dicas que me ajudaram a concretizar a minha primeira exposição no Centro Cultural Camões em Luanda (Angola). 

Com que artistas gostarias de trabalhar?
Gostaria de trabalhar com os artistas Joana Vasconcelos e António Ole

Artisticamente, até à data, qual foi o teu maior desafio?
Ter realizado uma exposição no Porto num curto espaço de tempo.

“lungo 2601”, como surgiu esta ideia? é um tema que tens vindo a pensar?
lungo2601 surge de uma observação minuciosa  de uma obra que tenho no Atelier. Gosto de observar as minhas obras e as pesquisas feitas para as realizar. Ter essa oportunidade de admiração antes do artista as entregar, apraz-me.

De que forma transmites as tuas raízes?
As minhas raízes encontram-se sobretudo nas cores, nos símbolos, nas marcas, na narrativa presente nas obras.  É a minha forma de apresentar a cultura africana para o mundo.

Em que estás a trabalhar no momento?
De momento encontro-me a trabalhar cerâmica. Para mim está a ser uma descoberta muito gratificante. Sinto que as minhas mãos têm vontade própria quando entram em contacto com o barro.

Como achas que te enquadras na arte contemporânea? O que te distingue?
Acho que me enquadro na arte contemporânea porque é um desafio constante. A arte está sempre em constante evolução e apesar de ser algo bom, encontramo-nos no limite onde o banal se confunde com arte. A técnica é descartada porque tudo é considerado arte. É um desafio que estou pronto a encarar…