Dentre a esfera representativa que envolve o ser humano, talvez a imagem da sua figura, do seu corpo, seja a que exerce uma maior significância.  O corpo representado marca a sua presença ao longo de todo o desenrolar histórico do homem. Sendo que, olhando a expressão artística desde a pré-história, nos é possível discernir a compreensão, significado e usos dados corpo precisamente pelo modo como este é representado em pinturas ou esculturas.

As representações e estéticas da figuração humana aparecem assim como uma resposta do individuo às camadas do seu tempo. Essas projeções espelham a imagem de si mesmo, ser simbólico, mágico e cientifico. Já nos primórdios da arte pré-histórica encontramos corpos que se apresentam enquanto veiculação de certos aspetos fundamentais como a maternidade e fertilidade, expressas através da abundância das formas da figura corpórea feminina, correlação simbólica da própria Natureza. Do mesmo modo, as civilizações da antiguidade desenvolveram a sua compreensão única sobre o corpo, expressa por exemplo na horizontalidade e bidimensionalidade das figuras Egípcias, ou na veneração de um ideal de beleza dos Gregos que acabaria no universo renascentista por atingir o auge do corpo como centro e medida do homem – estéticas que refletem de um modo profundo as características estruturais dessas culturas. O modo como o homem elabora a sua expressão estética dos corpos configura a sua existência, a imagem representada encontra-se diretamente vinculada às questões centrais da sua relação com o mundo.

A Tumboa Gallery procura com esta exposição temática colocar o foco sobre a figura humana, considerando a interação entre artistas, técnicas e formatos diferentes como uma boa forma de levar ao público a diversidade de práticas artísticas africanas. O conjunto de 12 obras reflete aspetos mais tradicionais da arte africana em conjugação com abordagens contemporâneas, através da pintura, colagem, desenhos em tinta-da-china e fotografia.